"Com as mãos
enfiadas nos bolsos da jaqueta de veludo cotelê, Tom sorriu, deixando escapar
um suspiro de satisfação.
— Não mudou nada. Está
tudo do jeitinho que eu lembrava.
— Ah, que isso — disse
Jenny, olhando com ceticismo para a pequena lagoa e cruzando os braços. — Nada
continua igual para sempre. Alguma coisa deve ter mudado neste açude.
— Não eu 'tou te
falando, 'tá do mesmo jeito. A mesma árvore, os mesmo galhos, a mesma
quantidade de água. Caramba, aposto que o velho "buraco para lugar
nenhum" ainda está lá no fundo.
— "Buraco para
lugar nenhum"? — Jenny repetiu, fazendo careta. — Parece assustador.
— É, a gente costumava
apostar um com o outro para ver quem ia até o fundo. Bobby tentou uma vez, mas
não conseguiu segurar o fôlego durante muito tempo. Ele quase morreu de medo.
— Eca — Jenny agitou
os braços, tentando afastar a imagem. — Pare com isso, Tom.
Tom tirou a jaqueta e
sorriu.
— Eu jurei que
encontraria o fundo daquele buraco um dia.
Jenny olhou para ele,
incrédula.
— 'Cê 'tá brincando. —
Ela balançou vigorosamente a cabeça. — Pare com isso, Tom.
Ele deu uma risada e
tirou as calças, revelando os calções de banho. Antes que Jenny conseguisse
agarrar-lhe o braço, ele se jogou nas águas turvas.
— Não dá pra ver nada
com toda essa lama! — berrou Jenny. — Deixa isso pra lá e vamos pra casa.
— De jeito nenhum! —
disse Tom — Eu jurei que faria isto. Além do mais, deixei cair um dólar de
prata lá em baixo uma vez. Quero a moeda de volta. — E, dizendo isso, ele
mergulhou.
Jenny viu-lhe a forma
escura descer cada vez mais. A sombra se deteve no que parecia ser o fundo do
açude e depois desapareceu. Ela gemeu, abraçou-se, mordeu os lábios e esperou.
— Tom! — ela gritou ao
ver que ele não voltava. — Ai, meu Deus!
Ela tirou os sapatos e
as calças. Não tinha roupa de banho, estava só de calcinha. Com uma careta de
frio, ela nadou para longe da margem.
Antes de chegar ao
meio do lago, ela se deteve, levou as mão à boca e tentou gritar, mas nenhum
som saiu de sua garganta. Bolhas e sangue brotaram do local onde Tom havia
desaparecido. Paralisada de medo, ela tentou reunir coragem para mergulhar e
ajudá-lo. Foi então que a mão dele apareceu na superfície. Ela deixou escapar
um suspiro de alívio, que se transformou no grito antes reprimido quando a mão
continuou a boiar, decepada à altura do pulso ensanguentado."