"Absorto nas minhas próprias ideias. Quase perdi o raciocínio tentando achar uma caneta. Índole humana? Não, não deve ser isso. Seja o que for, eu me libertei. Não sinto mais dor em meus erros, simplesmente porque não quero sentir. Às vezes choro, me emociono mais facilmente agora, e quando isso ocorre é uma libertação, sinto um frenesi, tenho vontade de gritar de alegria, rio, me recordo do meu suposto erro e rio mais.
Será um caminho alternativo para o que a humanidade pensa que é certo? É possível para um humano, como eu, adotar um novo conjunto de regras morais? Parece que sim. Não sei como vou chamá-la; talvez até já existisse, e eu desconhecesse sua existência. Não parece existir outros como eu, de qualquer forma.
Mudei desta forma pois achava que estava louco. Agora me sinto ávido pela loucura. Tento ouvir as vozes, mas elas nada me dizem. Tive breves vislumbres, raros momentos em que perdia o controle de mim. Todo sinal por mim recebido é subjetivo. Eles não explicam suas vontades, mas mesmo assim tudo parece cada vez mais claro; eu achava que devia protegê-los, mas na verdade devo iluminá-los. Causar-lhes-ei a dor que nenhum amigo ou familiar causaria, para que aprendam, não somente a viver, mas a saber. Eu temo por suas vidas, pois talvez seja eu a causa de sua morte, mas não devo parar. Talvez eu esteja louco mesmo, mas não me sinto mal, pois a loucura que admiram em mim é minha revelação. Não me sinto mais tão ligado à vida, como se minha alma já estivesse dependurada por um cordão espiritual. Eu não acreditava, agora sei que existe, mas não sei mais nada. Sei apenas o que sinto. Sinto que sou um mensageiro. Vocês serão minhas mensagens, pois através de vós, ensinarei os outros. Mostrarei o próximo passo."
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